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Archive for the ‘enf. saúde mental’ Category

05_10_criancas
Actualmente  muitas crianças crescem sem regras, sem lhe imporem limites nem transmissão de valores, num ambiente desprovido, muitas vezes de afectividade. Quando chegam à Escola, como tudo lhes é permitido pelos seus progenitores em casa, não aceitam as regras que lhes são impostas, porque quem é responsável por elas não soube fazer aquilo que deveria ter feito e ser o básico: EDUCAR.
Antigamente as crianças viviam em famílias grandes e alargadas (famílias enormes com mais de 20 elementos) que funcionavam como redes de apoio (psicológico, mental, afectivo, económico e social). Actualmente vivem em famílias mais pequenas , denominadas de famílias nucleares, praticamente sem redes de apoio ou com poucas redes de apoio a quem recorrer, ficando, muitas vezes, à mercê de redes virtuais, com todas as consequências que daí podem advir, porque os seus pais estão a trabalhar e saem de casa à hora em que se encontram a dormir e regressam nas mesmas circunstâncias.
Seria importante que os membros da família nuclear interagissem mais intensamente, como se fossem uma rede de comunicação partilhada,  onde se debatessem os problemas, as dificuldades e as dúvidas, assim como as soluções para as mesmos. Para isso os pais têm que se mentalizar que a função ser pai acarreta também o facto de ter disponibilidade para o seu filho ou filhos.
Se os membros dessa família continuarem de costas viradas, os problemas de indisciplina nas escolas não se poderão resolver.
Alguns pais pensam que compete à escola incutir nas crianças a educação básica, aquela em que os pais têm o dever de impor as regras mais elementares (respeitar o mais velho, regras de higiene, respeitar o espaço do outro, etc.).
Não haverá uma certa negligência dos pais em relação aos filhos?
PAIS, a educação tem que começar em casa, os professores continuam essa educação, complementam-na, mas não substituem o papel de pais, pois essa função deve ser única e exclusivamente dos pais.
Não estarão a demitir-se da sua função de PAIS que também deveriam ser EDUCADORES?
Pensando bem se as crianças têm problemas de aceitação em respeitar o espaço dos outros como podem conviver com os outros meninos?
Não será daí que, muitas das vezes,  vem a dificuldade de concentração, o desinteresse, e consequentemente os maus resultados que obtêm na escola?
Para alguns pais educar significa dar muitos bens materiais, porque assim os pequenos estão sempre satisfeitos, mas isso não é educar porque a EDUCAÇÃO não se vende nem se compra, transmite-se!

Verdade seja dita, actualmente, os professores não podem apoiar as crianças como as apoiavam antigamente (temos familiares professores e sabemos que isso assim é). Os professores, entupidos pela burocracia que  lhes é imposta, têm pouca disponibilidade para apoiar os seus alunos.
Nas escolas faltam técnicos especializados (em necessidades especiais educativas) para lidar com certos casos e que possam fazer o acompanhamento e aconselhamento dos alunos, professores e família. Habitualmente os professores estão destinados para ministrarem as suas aulas e não dispõem de horas para apoiar os seus alunos para além do seu horário semanal, já de si sobrecarregado.
Esta temática vai-se debater HOJE:

Por que é que crianças e adolescentes sem qualquer deficiência ou atraso e com um desenvolvimento aparentemente normal não aprendem na escola? O que explica o seu desinteresse e desmotivação? E o que leva, tantas deles, à indisciplina e ao mau comportamento? Antes de um problema, as dificuldades de aprendizagem constituem, sobretudo, um sintoma, defendem especialistas que debatem tema amanhã, em Lisboa.

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Cristina Morais e Rosa Silvestre

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Prescrição de antidepressivos para crianças quadruplicou

Segundo uma notícia publicada na FARMÁCIA.COM.PT do ano passado, os Médicos britânicos receitaram mais de 630 mil medicamentos em 2006.

“De acordo com dados oficiais, em 2006, os médicos britânicos prescreveram mais de 630 mil antidepressivos para jovens diagnosticados com doenças mentais ou depressão. O número deste tipo de medicamentos receitados para crianças (menores de 16 anos) quadruplicou, nos últimos dez anos, na Grã-Bretanha. Os dados foram obtidos por David Laws, um deputado do Partido Liberal Democrata que lida com temas ligados à infância. Segundo apurou o responsável, a quantia excede em muito a média de antidepressivos recomendados pelos médicos do país para jovens em meados dos anos 90, sendo que, naquela época, a quantidade era de, aproximadamente, 146 mil por ano. De acordo com uma reportagem publicada, ontem, no jornal «Daily Telegraph», uma menina de quatro anos tornou-se na mais jovem do país a ser medicada com antidepressivos. Segundo informa o «DT», a menina passou a sentir-se mal e a chorar quando foi enviada para o novo colégio. Neste sentido, a publicação britânica conta que os pais levaram a criança a um médico (com mais de 20 anos de prática) que receitou o uso de antidepressivos”.

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E actualmente o que sucede em Portugal ?

Segundo o Alto-Comissariado da Saúde o consumo de antidepressivos em Portugal continua a aumentar sendo cerca de três vezes superior à média da União Europeia.

Consumo de medicamentos per capita no mercado total (em euros)

No Continente

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a) Não Disponível. Fonte: INFARMED, 2008.
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a) Não Disponível. Fonte: INFARMED, 2008.

O consumo de medicamentos per capita no mercado total, em Portugal Continental, aumentou entre 2002 e 2007, passando de 288,0 euros para 325,2 euros. O aumento relativo foi de 12,9%.

Por Região de Saúde

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(a) Não Disponível. Fonte: INFARMED, 2008.
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(a) Não Disponível. Fonte: INFARMED, 2008.

De 2004 para 2007 o consumo de medicamentos per capita no mercado total em Portugal Continental aumentou 8,5%, passando de 299,8 para 325,2 euros. Esta tendência de crescimento registou-se em todas as Regiões de Saúde, sendo mais acentuada no Alentejo (crescimento relativo: 10,9%), que permaneceu a Região com maior consumo de medicamentos per capita.

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Contudo há quem defenda que o consumo estagnou por razões económicas …

Cristina Morais

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Constituem factores fundamentais para o desenvolvimento nutricional, motor, cognitivo e psicossocial do bebé o alimento materno (leite materno) assim como a estimulação adequada da criança, essencialmente nos primeiros meses de vida.

A noção desse declínio – observado pelo número cada vez menor de mães dispostas a amamentar, conduzindo a um desmame precoce – fez com que os enfermeiros fizessem parte de programas educacionais para combater esse mesmo problema.

Contudo para o bebé – desde que nasce e ainda quando tem poucos meses de vida – é fundamental o estabelecimento do vínculo afectivo entre ele e a sua mãe. A esse vínculo afectivo habitualmente dá-se o nome de “apego”.

“Apego” é uma expressão usada tanto pelo senso comum como pelos meios acadêmicos. É frequente usarem-se expressões como: o José é muito “apegado” à sua mãe; a Joana é muito “apegada” à sua família ou a seu namorado.

Na definição de Ainsworth (1989) citada por Bee (1996), tais expressões referem-se, em verdade, a um vínculo afectivo desenvolvido pelo indivíduo em relação a um parceiro que pela sua importância, deseja-se que esteja sempre próximo e que não pode ser substituído por nenhum outro.

O apego é definido por Bee (1996) como uma variação do vínculo afectivo, onde existe a necessidade da presença do outro e um acréscimo na sensação de segurança na presença deste. No apego o outro é visto como uma base segura, a partir da qual o indivíduo pode explorar o mundo e experimentar outras relações.

Bee (1996) usa o relacionamento pais e filhos para demonstrar a diferença entre apego e vínculo afectivo. O sentimento do bebé em relação a seus pais é um apego, na medida em que ele sente nos pais a base segura para explorar e conhecer o mundo à sua volta.

As pesquisas de John Bowlby, psiquiatra e psicanalista inglês, sobre os efeitos nefastos na saúde mental da privação da figura materna nas crianças, começaram a partir de sua experiência como assessor da Organização Mundial de Saúde na área de saúde mental. Bowlby, juntamente com James Robertson (1948), estudaram os efeitos da privação materna em crianças com idades entre 2 e 4 anos. Estas crianças foram observadas antes, durante e depois da separação das suas mães (Bowlby, 1990).

Quando John Bowlby estudou o vínculo entre mãe e filho, desenvolvendo a teoria do apego, concluiu que essa ligação era parte de um sistema de comportamentos que servia à protecção da espécie, já que os bebés humanos são indefesos e incapazes de sobreviver sozinhos por um longo período de tempo. Deste modo, o apego dos bebés às suas mães ou cuidadores é o que possibilitaria a sobrevivência da espécie (Bowlby, 1990; Hoffman et al, 1996).

Dentre as muitas contribuições que as pesquisas em etologia trouxeram ao estudo do desenvolvimento humano, uma delas foi a de que em alguns períodos da vida os indivíduos estão mais sujeitos a serem influenciados por determinados factos, que em outros. Este conceito – chamado em etologia de Períodos Sensíveis – é observado na natureza animal, sendo um exemplo a experiência realizada com patos que 15 horas após saírem do ovo tendem a seguir qualquer objecto que se mova (Bowlby, 1990).

Cristina Morais

Bibliografia:

BEE, H. (1996). A Criança em Desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas.

BERK, L. (1999). Desarrollo del Niño y del Adolescente. Madrid: Prentice Ibéria.

BOWLBY, J. (1990). Trilogia Apego e Perda. Volumes I e II. São Paulo. Martins Fontes.

BRAZELTON, T. (1988). O Desenvolvimento do Apego. Porto Alegre. Artes Médicas.

BUSNEL, M-C. (1997). A linguagem dos Bebês: Sabemos Escutá-los? São Paulo. Escuta.

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“Logo desde os primeiros movimentos do bebé no ventre da mãe, os pais pensam: ‘Esta vai ser a minha nova vida. É meu dever fazer tudo para que este bebé cresça e se desenvolva. O meu dever – parte desta responsabilidade – é alimentá-lo bem’”, observam os autores, lembrando que este papel “começa a ser uma preocupação” mesmo antes de um filho nascer.
É o que garantem Brazelton e Sparrow no livro “A Criança e a Alimentação” (Editora Presença).
É precisamente com este objectivo presente que os especialistas aconselham, sempre que possível, a amamentação materna e, mais tarde, a introdução dos alimentos de forma gradual, equilibrada e saudável.
“O aleitamento a peito é inquestionável nos primeiros meses de vida”, afirma Isabel Lamy, pediatra. “O leite materno é rico, contém todos os nutrientes necessários – é o melhor –, ajuda a aumentar os anticorpos e as defesas dos bebés.” Visto por outro prisma, “o acto de amamentar faz bem à mãe e ao filho, ajuda à interacção entre ambos”.
É claro que nem todas as mulheres têm esta possibilidade, pois não têm leite. Por outro lado, e porque a maioria trabalha fora de casa e tem de regressar à rotina profissional três ou quatro meses depois do parto, o recurso aos leites artificiais também acaba por ter lugar mais cedo.
Refere ainda a pediatra “A escolha deve ser feita pela mãe e pelo pediatra, atendendo às preferências da criança. Por vezes, esta não gosta de um tipo de leite, sem que esteja em causa a sua qualidade. É apenas uma questão de gosto.”

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A introdução da primeira papa à colher ocorre por volta do quarto mês e não deve possuir glúten, com a finalidade de preparar o intestino para as próximas alimentações, habituando assim a criança a comer mais pausadamente e com algum paladar, e como quem diz com disciplina à alimentação que é algo muito importante para o futuro da criança.

A refeição prolonga-se, agora, consideravelmente, a criança precisa de mais tempo para digerir este alimento que se apresenta mais sólido.

No quinto ou sexto mês de vida, a criança já não possui reservas de ferro adquiridas no ventre materno. Assim sendo é preciso fornecer-lhe este mineral através de alguns alimentos, tais como os legumes verdes. “Devemos introduzir a sopa na alimentação diária do bebé, por exemplo, ao almoço”, sublinha a pediatra, acrescentando que, à noite, poderá sempre ser mantido o biberão ou o leite materno a peito.
Inicialmente, a sopa de legumes deve ser simples, não conter carne, peixe ou caldos de carne, com a batata e a cenoura como base e em pequena quantidade. A preparação do prato deve estar isenta de sal e o azeite – um pequeno fio – deve ser colocado apenas no fim, evitando que ferva.

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A partir do 4º mês – exemplo de um plano de alimentação diversificada:

A ordem da introdução não é rígida e deve ser adaptado a cada criança.
Dar os alimentos sólidos à colher.
Oferecer água (previamente fervida e arrefecida) no intervalo das refeições.
Não introduzir alimentos novos com intervalos inferiores a 1 semana.
Não juntar papa ao leite do biberão.

Inicio : Substituir uma refeição de leite por papa sem glúten (de preferência não láctea). Estas papas devem ser preparadas com o leite que o bebé está a tomar.
As papas lácteas ou os leites adaptados devem ser preparados só com água, previamente fervida.
A papa deve ser preparada no prato e oferecida à colher 1 vez por dia.

1 a 2 semanas mais tarde: substituir outra refeição de leite por uma sopa de legumes. 1ª sopa: batata e cenoura. Os legumes são triturados e reduzidos a puré.
Deverá introduzir um legume novo a cada semana, tais como alface, agrião, abóbora,alho francês, feijão verde, bróculos, couve flor. Adicionar uma colher de chá de azeite no final da cozedura.
Não dar espinafres, nabo, beterraba, tomate, leguminosas e cebola.

Confeccionar a sopa diariamente ou de 2 em 2 dias e conservar no frio em caixa adequada.
1 semana mais tarde: Fruta crua/assada/cozida ralada ou esmagada (maça, pêra, ou banana).

Cristina Morais

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