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Archive for Outubro, 2007

Workshop

Com o patrocínio da Humpar vai realizar-se dia 29 de Outubro no Porto um workshop sobre humanização do parto para médicos e enfermeiros obstetras, parteiras e estudantes de medicina ou enfermagem com Debra Pascali Bonaro, doula e formadora certificada pela DONA International (Doulas Of North America).

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Mais informações aqui:

http://sobcesaria.blogspot.com/2007/10/novos-conceitos-de-sade-workshop-para.html

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Este tema vem despertado interesse em diversas áreas do conhecimento.
Contudo, tal facto não minimiza ou reduz os efeitos que as idéias préconstruídas em torno da morte têm causado no homem, em diferentes estágios de seu ciclo de vida.

A morte é, pois, tema tão antigo quanto o homem. Segundo Morin (1997), é nas atitudes e crenças diante da morte que o homem exprime o que a vida tem de mais fundamental. A morte, segundo o mesmo autor, permanece como um grande mistério para o homem. Este prefere ignorá-la ou contemplá-la, por vezes, indo ao seu encontro.
Assim, torna-se frequente, as pessoas evitarem falar sobre a morte e o morrer. Não é de se estranhar que adultos – pais, familiares – tentem “proteger” uma criança da situação que envolve falar sobre a morte ou visualizar a concretização da morte, através do corpo inerte de um ente querido.
Será que crianças com 6 anos sabem o que é a morte?

Como é que uma criança lida perante a morte do outro, se o adulto não consegue lidar com este tipo de perda e tem profunda dificuldade em deparar-se com um facto real, que busca negá-lo, na maior parte dos momentos, no seu dia-a-dia?

Existe hora e momento oportuno para se falar de morte a uma criança?

Que momento será então esse?

Quando ela deixar de brincar com suas fantasias e deixar se aprisionar pelos medos e monstros criados pela sua mente infantil, quando ela for capaz de entender os motivos da morte?

Quando ela crescer?

Isso seria uma garantia de que haveria o entendimento para a dor da perda?
Será que não se trata de um erro pensar que uma criança não é capaz de entender o que acontece com aqueles que morrem?

A percepção e a conceptualização da morte pela criança podem ser vistas como uma ocorrência natural do processo de desenvolvimento humano, ou elas são alteradas, intensificadas, distorcidas por vivências específicas, como quebra de vínculos ou doenças que colocam a vida em risco?
– Qual a representação existente da morte para a criança e como é expressa?
– Qual é a percepção da criança sobre a morte quando está doente?
– Como é que ela percepciona a morte de pessoas significativas?

Estas e outras questões figuram como preocupações para todos que percepcionam a morte como um evento da existência.
A criança vai construindo o conceito de morte juntamente com o desenvolvimento cognitivo.
Torres (1979), em pesquisa realizada com 183 crianças de 4 a 13 anos, estudou a relação entre o desenvolvimento cognitivo e a evolução do conceito de morte.

A autora pesquisou o conceito de morte ligado a três, dos quatro períodos do desenvolvimento cognitivo segundo Piaget:
a) Período pré-operacional – as crianças não fazem distinção entre seres inanimados e animados. Não percepcionam a morte como definitiva e irreversível.
b) Período das operações concretas – as crianças distinguem entre seres inanimados e animados, mas não dão respostas lógico-categoriais de causalidade da morte. Elas buscam aspectos perceptíveis, como a imobilidade para defini-la; contudo, já são capazes de percepcionar a morte como irreversível.
c) Período das operações formais – as crianças reconhecem a morte como um processo interno, implicando em paragem do corpo.
Bromberg (1998) refere que uma questão característica de uma criança no período pré-operacional, ao saber que a sua mamãe faleceu e não fará futuramente as coisas que fazia, pode vir a ser: “E quem é que me vai levar para a escola agora?”
Este tipo de questão, segundo a mesma autora, pode causar um impacto nos adultos que, desconhecendo essa dimensão do pensamento da criança, poderão considerá-la insensível à persa.
Por sua vez, Kübler-Ross (2003) refere que crianças reagem à morte do pai ou da mãe, dependendo de como foram criadas antes do momento dessa perda. Se os pais não têm medo da morte, se não pouparam os filhos das situações de perdas significativas, como por exemplo, a morte de um bichinho de estimação ou a morte de uma avó, eventualmente não occorrerão problemas com a criança em questão.

Bromberg (1998) chama a atenção para a forma como nos comunicamos com as crianças. Ao se comunicar com uma criança acerca da morte de alguém, o uso de certas expressões pode confundi-la. Expressões habituais como “finalmente descansou” poderá levar a criança a pensar que, se a pessoa dormir e descansar poderá voltar.
Ao se falar de morte, inevitavelmente, o tema conduz ao processo do luto, como conjunto de reações diante de uma perda. Recordamos que podem existir mortes e processos de luto por ausências, separações e vivências de abandono. O processo de luto, então se dará diferentemente. Quanto maior o investimento afectivo, maior a energia necessária para o desligamento.
Pais e outros adultos não devem excluir as crianças da experiência de perda com a finalidade de poupá-las ao sofrimento. Tal atitude poderá, por sua vez, bloquear o processo de luto. Nessa perspectiva, cada criança vivenciará o seu luto de muitas maneiras diversificadas.

O primeiro passo para a realização do luto é a aceitação que a morte se deu.
Ainda dentro de uma visão do desenvolvimento, é possível compreender os recursos que uma criança doente utiliza para enfrentar a própria doença e o significado que lhe atribui. Com o passar do tempo, a criança começa a percepcionar o desenrolar de sua doença, entrando num processo de despedidas de pessoas e coisas do seu mundo.

O problema do suicídio também não deve deixar de ser mencionado. Podemos então questionar como é que a criança se sente quando é informada que alguém importante na sua vida se suicidou?
É muito difícil para uma criança pequena entender o significado do suicídio. As mais pequenas podem chegar a pensar que o (a) suicida não a amava, não pensou nela e nos irmãos.

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