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Archive for Maio, 2007

O útero materno constitui para o futuro bebé, durante a existência pré-natal um ambiente seguro. Contudo, a partir do momento do nascimento o bebé fica abruptamente exposto a todos os “factores” de risco, oriundos do ambiente externo, dependendo totalmente dos adultos.
Neste processo vivencial, o bebé passa de um estado de total dependência a um estado de independência que vai atingir o seu ponto máximo de segurança quando passar a fazer parte do período de adultícia, no qual os indivíduos parecem desenvolver um sentido aumentado de responsabilidade face à segurança e ao que com ela se relaciona.
Quer isto dizer que à medida que os indivíduos percorrem as suas etapas de vida (desde a concepção até à morte), cada indivíduo vai sofrendo uma mudança contínua (continum) no seu grau de dependência em direcção à sua maior independência, de modo a atingir o nível de segurança máximo (estado Adulto).
Ao nos centrarmos especificamente na Saúde Infantil e Pediátrica, alertando para a necessidade de manter um ambiente o mais seguro possível, realizando prevenção de acidentes nas crianças e jovens, admitimos que essa prevenção é também uma responsabilidade dos profissionais de saúde, entre os quais se contam os enfermeiros, além de ser uma responsabilidade dos próprios pais que devem ser alertados para as situações de risco e informados acerca dos factores de risco que podem vir a ocorrer com as suas crianças e/ou jovens.
Sabe-se que mais de metade dos acidentes rodoviários ocorrem dentro das localidades, perto de casa e a velocidades inferiores a 45 km/hora, em trajectos habituais, envolvendo crianças com menos de 6 anos, facto ignorado pela maioria dos pais e educadores que deveriam proteger devidamente as crianças.

Portugal é o 6º pais da União Europeia com a mais elevada taxa de mortes de crianças até aos 14 anos de idade, provocadas por acidentes domésticos e rodoviários, revelou um estudo apresentado em Fevereiro de 2005 em Coimbra. O estudo realizado pela aliança Europeia para a Segurança Infantil (AESI), foi divulgado por Gregória Von Amann, da Direcção-Geral de Saúde, durante um simpósio sobre “Promoção de Segurança e Crianças e Jovens”.

De acordo com a AESI, Portugal apresenta uma taxa de mortalidade de 8,95% por cada cem mil habitantes no total de acidentes domésticos, lazer e rodoviários que envolvem crianças até aos 14 anos.

Ainda segundo a AESI, na União Europeia morrem mais crianças por acidentes do que por doenças infantis – os acidentes rodoviários estão na origem de 34% destas mortes.

Em Portugal, verifica-se que os acidentes rodoviários representam 39% do total de mortes infantis por acidente (dados recentes da APSI).

Se tivermos em atenção que, pelo menos, 3.500 crianças morrem anualmente nos 21 países da OCDE vitimas de maus-tratos, e os acidentes de viação, afogamentos, quedas, incêndios e envenenamentos fazem ascender a mais de 20 mil o número anual de mortes de menores de 15 anos, então a comunidade europeia tem entre mãos um grave problema público de saúde.

O uso sistemático e correcto de cadeiras e dispositivos de retenção nos veículos automóveis tem tido um impacto extraordinário na diminuição da mortalidade até à idade dos 6 anos.
O uso dessas medidas poderia atingir os 90% – 100% na prevenção da morte e dos feridos graves, como, por exemplo, os que sofrem de traumatismos cranianos.
A APSI realizou um estudo de observação nas auto-estradas (com a colaboração da Brisa) sobre a utilização de dispositivos de retenção em crianças até os 12 anos nos dias 1 e 2 de Setembro de 2003, onde já se alertava para esse facto.
Esta pesquisa concluiu que cerca de 60% das crianças continuam a viajar, até essa data, no veículo automóvel sem qualquer tipo de protecção, ao colo da mãe/avó/tia ou à solta.

 

Constatou-se que:
– Dos 0 aos 3 anos: 37% viajam à solta ou ao colo;
– Dos 4 aos 12 anos: 70% eram transportados sem qualquer protecção.
– Mais de metade dos dispositivos eram utilizados por crianças com mais de 4 anos e estava incorrecto (bebés voltados para a frente, cintos debaixo dos braços, folgas exageradas).

Bibliografia:

In Estudo ‘Report Card 7’ (2005) – Centro de Pesquisa Innocenti – Florença.

In Direcção-Geral de Viação (2006) – Lisboa

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